Dry Streams in an Ocean of Eucalyptus: new report calls for Aperam expansion to be halted

21 September 2026

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A new investigation into Aperam BioEnergia’s eucalyptus plantations, charcoal and biochar production in Brazil’s Upper Jequitinhonha Valley documents decades of land dispossession, water depletion, Cerrado destruction and conflict, challenging the idea that this industrial model represents a genuine climate solution.

The Global Forest Coalition (GFC), together with Biofuelwatch, the EPN’s Biomass Action Network and the Hands Off Mother Earth (HOME) Alliance, is launching Dry Streams in an Ocean of Eucalyptus: Aperam BioEnergia’s Green Steel and Carbon Removal Illusion, a new investigation into the social and environmental impacts of Aperam BioEnergia’s operations in Minas Gerais, Brazil.

Based on field research and interviews with traditional and Quilombola communities, as well as research and information from public officials and experts, the report examines how Aperam’s large-scale eucalyptus plantations have transformed the landscapes and livelihoods of communities in the Upper Jequitinhonha region. It also examines the company’s charcoal production and emerging biochar and carbon-removal business, questioning the use of “green steel”, “biochar” and “carbon removal” to present an extractive industrial model as climate action.

Disappearing water, disappearing forests

Aperam manages around 150,000 hectares in Minas Gerais, approximately two-thirds of which is covered by eucalyptus plantations. Much of this plantation landscape was established from the 1970s onwards on lands traditionally used by local chapadeira-groteira and Quilombola communities.

The consequences have been profound. Native vegetation on the Chapada das Veredas plateau fell from 86.1% in 1973 to just 24.6% in 2018, while communities have lost areas traditionally used for grazing, gathering, fishing and collecting wood.

Water is now one of the most urgent concerns. A 2019 survey found that 89% of local springs had dried up, while research cited in the report found that water tables fell by approximately 4.5 metres between 1974 and 2019. Eucalyptus plantations on the Chapada das Veredas alone are estimated to consume 31.9 billion litres of water each year. The impacts are particularly gendered, with women often bearing primary responsibility for securing water for their households.

A dry wetland area (vereda) on a plateau near eucalyptus plantations. GFC

From ‘green steel’ to carbon removal

Aperam produces more than 420,000 tonnes of charcoal each year from its eucalyptus plantations to supply its steel production. The company has also developed a biochar business and sells carbon-removal credits based on charcoal fines.

The report challenges the idea that turning these materials into “carbon removal” products makes the underlying industrial system a climate solution. Questions remain around carbon permanence, emissions from production and potential pollutants, while carbon markets risk giving new financial and environmental value to a system that continues to consume land and water and undermine community rights.

Expansion backed by international finance

Despite these concerns, Aperam is planning further expansion with international financial backing. In February 2025, the company signed a €250 million financing package, including up to €150 million from the International Finance Corporation (IFC), to support the acquisition of 42,600 hectares and the expansion of charcoal production, kilns, bio-oil and seedling production.

The IFC itself recognised that the project could generate “significant adverse” environmental and social risks that could be “diverse and irreversible”. Meanwhile, a federal investigation was opened in Minas Gerais in August 2026 into the socio-environmental impacts of Aperam’s eucalyptus expansion.

Communities are demanding a different future

The report centres the experiences and demands of the traditional and Quilombola communities living alongside Aperam’s plantations. Communities are calling for the return and restoration of their traditional lands, restoration of the veredas and native Cerrado, secure access to water, and support for agroecology and community-led livelihoods. Women and community organisations are already demonstrating the possibilities of a different future, including through initiatives focused on territorial rights, livelihoods and economic independence.

A community member shows one of many dry streams in the region. GFC

Our calls

GFC is calling on governments, financiers, certification schemes and global buyers to stop supporting the expansion of Aperam’s plantation and carbon-removal model and instead support justice and ecological restoration.

In particular, we are calling for:

  • An immediate halt to Aperam’s expansion, including further acquisition of traditional and Quilombola lands.
  • Independent investigation and accountability for historical land acquisition, environmental impacts and alleged rights violations, alongside recognition and restitution of traditional and Quilombola territories.
  • The restoration of critical water recharge areas, veredas and native Cerrado ecosystems, and measures to address water depletion.
  • Suspension of financial support and investment until existing harms are remedied and environmental and social safeguards are independently demonstrated to have been met.
  • Suspension of relevant sustainability certifications pending transparent investigation and meaningful in-field verification of community concerns.
  • A shift in investment towards community-led restoration, agroecology, water security and community livelihoods, rather than further industrial monocultures and carbon-market schemes.

The case of Aperam is part of a much wider challenge facing climate action. Industrial plantations, biomass, “green steel” and carbon removal are increasingly being presented as solutions to the climate crisis, while the land, water and communities affected by these models continue to bear the costs.

Real climate action requires reducing emissions at source, protecting and restoring native ecosystems, and supporting the rights, livelihoods and leadership of the communities who depend on them.

📖 Download the full report:

(EN) Dry Streams in an Ocean of Eucalyptus: Aperam BioEnergia’s Green Steel and Carbon Removal Illusion

(PT) Córregos secos em um oceano de eucalipto: o aço verde e a ilusão da remoção de carbono da Aperam BioEnergia


Córregos secos em um oceano de eucalipto: novo relatório pede a suspensão da expansão da Aperam

Nova investigação sobre as plantações de eucalipto, a produção de carvão vegetal e de biochar da Aperam BioEnergia no  Alto do Jequitinhonha, Brasil, documenta décadas de expropriação de terras, esgotamento hídrico, destruição do Cerrado e conflitos — e questiona a ideia de que esse modelo industrial representa uma verdadeira solução climática.

A Global Forest Coalition (GFC), com o apoio da Rede de Ação Contra a Biomassa Industrial (da EPN), da Biofuelwatch e da aliança Hands Off Mother Earth (HOME), lança Córregos secos em um oceano de eucalipto: o aço verde e a ilusão da remoção de carbono da Aperam BioEnergia, uma nova investigação sobre os impactos sociais e ambientais das operações da Aperam BioEnergia em Minas Gerais, Brasil.

Baseado em pesquisa de campo e entrevistas com comunidades tradicionais e quilombolas, bem como  em pesquisas e informações provenientes de representantes do poder público e especialistas, o relatório examina como as plantações de eucalipto em larga escala da Aperam transformaram as paisagens e os meios de vida das comunidades do Alto Jequitinhonha. O relatório também analisa a produção de carvão vegetal e os negócios emergentes da empresa com biochar e remoção de carbono, questionando o uso de termos como “aço verde”, “biochar” e “remoção de carbono” para apresentar um modelo industrial extrativista como ação climática.

Água que desaparece, florestas que desaparecem

A Aperam administra cerca de 150 mil hectares em Minas Gerais, aproximadamente dois terços dos quais são ocupados por plantações de eucalipto. Grande parte dessa área de plantações foi estabelecida a partir da década de 1970 em terras tradicionalmente utilizadas por comunidades locais chapadeiras-groteiras e quilombolas.

As consequências foram profundas. A vegetação nativa na Chapada das Veredas caiu de 86,1% em 1973 para apenas 24,6% em 2018, enquanto as comunidades perderam áreas tradicionalmente utilizadas para pastoreio, coleta, pesca e coleta de madeira.

A água é agora uma das preocupações mais urgentes. Uma pesquisa realizada em 2019 constatou que 89% das nascentes locais haviam secado, enquanto pesquisas citadas no relatório apontaram que os níveis do lençol freático caíram aproximadamente 4,5 metros entre 1974 e 2019. Estima-se que as plantações de eucalipto na Chapada das Veredas, sozinhas, consumam 31,9 bilhões de litros de água por ano. Os impactos têm uma dimensão de gênero particularmente acentuada, já que as mulheres frequentemente assumem a principal responsabilidade por garantir água para suas famílias.

Do “aço verde” à remoção de carbono

A Aperam produz mais de 420 mil toneladas de carvão vegetal por ano a partir de suas plantações de eucalipto para abastecer sua produção de aço. A empresa também desenvolveu um negócio de biochar e vende créditos de remoção de carbono baseados em finos de carvão vegetal.

O relatório questiona a ideia de que transformar esses materiais em produtos de “remoção de carbono” não transforma automaticamente o sistema industrial que está por trás deste processo em uma solução climática. Persistem dúvidas relacionadas à permanência do carbono, às emissões geradas durante a produção e à possível presença de poluentes, enquanto os mercados de carbono correm o risco de atribuir novo valor, tanto financeiro quanto ambiental, a um sistema que continua consumindo terras e água e comprometendo os direitos das comunidades.

Expansão apoiada por financiamento internacional

Apesar dessas preocupações, a Aperam planeja uma nova expansão com apoio financeiro internacional. Em fevereiro de 2025, a empresa assinou um pacote de financiamento de € 250 milhões, incluindo até € 150 milhões da International Finance Corporation (IFC), para apoiar a aquisição de 42,6 mil hectares e a expansão da produção de carvão vegetal, de fornos, de bio-óleos e da produção de mudas.

A própria IFC reconheceu que o projeto poderia gerar riscos ambientais e sociais “significativos e adversos”, que poderiam ser “diversos e irreversíveis”. Enquanto isso, em agosto de 2026, foi aberta uma investigação federal em Minas Gerais sobre os impactos socioambientais da expansão das plantações de eucalipto da Aperam.

As comunidades reivindicam um futuro diferente

O relatório coloca no centro as experiências e reivindicações das comunidades tradicionais e quilombolas que vivem junto às plantações da Aperam. As comunidades estão reivindicando a restituição e restauração de suas terras tradicionais, a restauração das veredas e do Cerrado nativo, acesso seguro à água e apoio à agroecologia e aos meios de vida liderados pelas próprias comunidades. Mulheres e organizações comunitárias já estão demonstrando que um futuro diferente é possível, inclusive por meio de iniciativas voltadas para os direitos territoriais, os meios de vida e a independência econômica.

Nossas reivindicações

A Global Forest Coalition pede que governos, financiadores, sistemas de certificação e compradores em todo o mundo deixem de apoiar a expansão do modelo de plantações e remoção de carbono da Aperam e, em vez disso, apoiem a justiça e a restauração ecológica.

Em particular, pedimos:

  • A interrupção imediata da expansão da Aperam, incluindo novas aquisições de terras tradicionais e quilombolas.
  • Investigação independente e responsabilização pelos processos históricos de aquisição de terras, pelos impactos ambientais e pelas alegadas violações de direitos, juntamente com o reconhecimento e a restituição dos territórios tradicionais e quilombolas.
  • A restauração das áreas críticas de recarga hídrica, das veredas e dos ecossistemas nativos do Cerrado, além da criação de medidas para enfrentar o esgotamento dos recursos hídricos.
  • A suspensão do apoio financeiro e dos investimentos até os danos existentes sejam reparados e que seja demonstrado, por meio de avaliação independente,  que salvaguardas ambientais e sociais foram cumpridas
  • A suspensão das certificações de sustentabilidade pertinentes, enquanto não forem realizadas investigações transparentes e verificações efetivas, em campo, das preocupações levantadas  pelas comunidades.
  • O redirecionamento dos investimentos para a restauração liderada pelas comunidades, a agroecologia, a segurança hídrica e para os meios de vida comunitários, em vez da expansão de monoculturas industriais e de mecanismos de mercado de carbono.

O caso da Aperam faz parte de um desafio muito mais amplo no campo da ação climática. Plantações industriais, biomassa, “aço verde” e remoção de carbono são cada vez mais apresentados como soluções para a crise climática, enquanto as terras, a água e as comunidades afetadas por esses modelos continuam arcando com os custos.

Uma verdadeira ação climática exige a redução das emissões na fonte, a proteção e a restauração dos ecossistemas nativos e o apoio aos direitos, aos meios de vida e à liderança das comunidades que deles dependem.

📖 Leia o relatório completo:
(EN) Dry Streams in an Ocean of Eucalyptus: Aperam BioEnergia’s Green Steel and Carbon Removal Illusion

(PT) Córregos secos em um oceano de eucalipto: o aço verde e a ilusão da remoção de carbono da Aperam BioEnergia

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